Centro Universitário Mario Pontes Jucá promove reflexão sobre racismo estrutural e práticas antirracistas na formação docente
Palestra ministrada pelo professor Dr. Zezito de Araújo, quilombola e ativista do movimento negro, destacou o papel da escola na construção de uma educação inclusiva e comprometida com a equidade racial.

O curso de Pedagogia do Centro Universitário Mário Pontes Jucá (UMJ) realizou, na última terça-feira (13), no auditório da instituição, a palestra “Da Serra da Barriga às Salas de Aula: tecendo Práticas Antirracistas na Formação Docente”. O encontro reuniu estudantes para discutir o racismo estrutural no ambiente escolar, a valorização da história e da cultura afro-brasileira e os desafios para a construção de uma educação antirracista.
A palestra foi ministrada pelo professor Dr. Zezito de Araújo, quilombola e ativista do movimento negro, que conduziu uma reflexão aprofundada sobre as raízes históricas do racismo e suas manifestações no cotidiano das instituições de ensino. Durante o encontro, o palestrante provocou os futuros pedagogos a refletirem sobre como as práticas educativas, os currículos e as relações estabelecidas nas escolas podem contribuir tanto para a reprodução das desigualdades quanto para a transformação dessa realidade.
Ao abordar o racismo estrutural nas escolas, Dr. Zezito destacou a importância de reconhecer que a educação não é neutra e que o enfrentamento ao preconceito exige ações concretas no cotidiano escolar. A reflexão ressaltou a necessidade de superar práticas historicamente excludentes, ampliar a representatividade nos conteúdos pedagógicos e reconhecer a contribuição da população negra para a formação da sociedade brasileira.
A atividade também dialogou com o tema “Quem aparece quando a escola ensina? O currículo, identidade e relações étnico-raciais na formação docente”, ampliando o debate sobre quem está representado nos materiais didáticos, quais histórias são valorizadas no processo de aprendizagem e como a atuação dos educadores pode contribuir para combater o racismo.
Formação docente com consciência crítica
A coordenadora do curso de Pedagogia da UMJ, Thâmara Carnaúba, destacou a relevância do encontro para a formação acadêmica e profissional dos estudantes. Segundo ela, é fundamental que os futuros educadores compreendam seu papel na construção de uma educação antirracista, inclusiva e comprometida com a equidade.
“Enfatizo, ainda, que a formação docente exige consciência crítica, letramento racial e compromisso com a transformação social, pois nenhuma legislação, por si só, garante mudanças efetivas: é necessário que seus princípios se concretizem nas práticas educativas cotidianas”, explicou Thâmara.
A coordenadora também ressaltou que a discussão contribui para o reconhecimento da diversidade étnico-racial brasileira e para a valorização das culturas afro-brasileiras e indígenas, reforçando a importância de repensar currículos e metodologias de ensino.
Educação como instrumento de transformação social
A palestra reafirmou a importância de preparar os futuros professores para identificar e enfrentar situações de discriminação, questionar estereótipos e promover ambientes de aprendizagem mais respeitosos e representativos.
Ao proporcionar espaços de diálogo com pesquisadores e lideranças comprometidas com a luta antirracista, a UMJ fortalece a formação crítica dos estudantes de Pedagogia e incentiva a construção de práticas educativas alinhadas ao respeito à diversidade, à igualdade de direitos e à valorização das identidades.
A iniciativa integra o compromisso da instituição com uma formação acadêmica que ultrapassa os conteúdos teóricos e prepara profissionais capazes de contribuir para uma sociedade mais justa, democrática e livre de discriminação racial.




